Riscos ao doar óvulos

No Brasil a doação de óvulos precisa seguir algumas regras, como:

  • Doação deve ser voluntária e não pode haver negociação monetária envolvendo o procedimento;
  • Para doação compartilhada, só poderão doar mulheres que estão em tratamento para engravidar;
  • A mulher que gerou o bebê sempre será considerada a mãe da criança;
  • Em casos de barriga solidária, a beneficiária do procedimento é que será considerada mãe;

No Brasil, um procedimento de fertilização in vitro particular custa entre R$ 16.000,00 a R$ 30.000,00 (dependendo, é claro, de vários outros fatores). Porém, várias clínicas de fertilidade tentam facilitar o encontro de mulheres que sonham com o desejo de ser mãe a outras mulheres que também possuem esse desejo, porém não podem arcar com o alto custo.

Isso é chamado de doação compartilhada: uma mulher saudável, com idade de até 35 anos, que possui dificuldade de engravidar por parte do parceiro (no caso o homem é infértil) e que não tem condições financeiras de arcar com o tratamento compartilha seus óvulos com uma outra mulher que precisa desse material para engravidar.

A mulher receptora (que receberá o óvulo) analisa o perfil da doadora com base no banco de dados dos estabelecimentos. As clínicas que realizam essa ponte (mãe receptora com mãe doadora) exigem que a doadora preencha uma ficha com várias perguntas relacionadas a sua vida, escolhas, preferências, bem como características físicas tais como: cor da pele, dos olhos, altura, peso, preferências de lazer, se pratica ou não atividade física, grau de escolaridade, histórico de doenças na família, religião, além claro, apresentação de uma série de exames médicos. Com isso em mãos, a receptora faz a escolha de qual “tipo de DNA e pessoa” ela prefere escolher para ser seu bebê.

Uma coisa importante para quem vai doar seus óvulos é saber que esse procedimento no Brasil é permitido somente para mulheres que também desejam engravidar. Não é como doar sangue no hemocentro da sua cidade. A doação de óvulos demanda muito da mulher doadora, além de haver riscos a sua saúde. Assim, somente deve ser feito por aquelas que já estão em tratamento para engravidar e que só poderiam realizar esse sonho da maternidade por meio de fertilização in vitro.

Principais problemas decorrentes da doação de óvulos:

  • Síndrome da Hiperestimulação do Ovário (SHO). Essa síndrome pode causar desde enjoos fortes durante e depois da administração das injeções de homônimos e estimulantes para ovulação até trombose e esterilidade. Por isso, é muito importante procurar uma clínica idônea e responsável, que saiba administrar as doses certas dos medicamentos (que são muitos e fortes), que se preocupe em cuidar da saúde da doadora e não somente visando fazê-la gerar o maior número de óvulos possível.
  • Torção de ovário. A torção é algo raro, mas que pode acontecer com mulheres que passam por tratamentos de infertilidade. É quando a trompa torce sobre o próprio ovário cansando um “infarto” desse ovário. O caso só é solucionado por meio de cirugia de videolaparoscopia e a mulher corre o risco de perda desse ovário se não for socorrida a tempo.
  • Distúrbios hormonais;
  • Inchaço
  • Depressão;
  • Aumento ou diminuição de preso, entre outros problemas.

Além dos problemas físicos e emocionais que tratamentos hormonais podem causar, existe também o fator ético que deve ser levado em consideração. Muitas mulheres não estão preparadas para viver com o fato que haverá um ou mais ser humano, que possui metade do seu DNA, vivendo com outra família e que não se pode conhecer, às vezes nem saber se realmente existe. Uma vez que o óvulo é doado, a doadora não pode ter qualquer contato ou informação relacionado a esse potencial individuo. Isso, para algumas pessoas, pode causar sofrimento se não for bem administrado e compreendido.

Doação de óvulos para mulheres que não podem engravidar e só conseguem realizar esse sonho por esse caminho é um ato de amor. Doar a possibilidade e a viabilidade de uma mulher realizar o desejo da maternidade é um privilégio, porém isso deve ser realizado dentro de protocolos rígidos, em clínicas idôneas e legalizadas, avaliando principalmente a saúde e bem estar das mulheres envolvidas. Nunca admita passar por qualquer tratamento ou procedimento médico em um local clandestino e de maneira inadequada.


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